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Formação em design na criação de web sites

Sexta-feira, Maio 20, 2005

Freddy Van Camp é diretor da Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ. Pós Graduado em Los Angeles/USA e em Braunschweig/Alemanha.

vancampdesign@attglobal.net

Qual a importância da formação acadêmica em design para se criar web sites?

A formação em design é a mais completa e abrangente disponível para uma atuação em Web design. Há um credo generalizado de que só é necessário o domínio de alguns "softwares" para conseguir ser um Web Designer. Esta é uma visão tecnicista e extremamente parcial do assunto. A formação em design ensina antes de tudo uma metodização do raciocínio, a criatividade sob controle, a comunicação e a qualidade da transmissão da informação como fatores primordiais da mídia Web.

Os "Encontros de Web Design" defendem que o termo "web design" é uma área de atuação do designer e não uma profissão em si. Você concorda? Por que?

Com certeza ainda é uma área de atuação do designer e tenho a impressão que continuará a ser. É possível que com o desenvolvimento desta tecnologia haja um acúmulo de saber e uma especificidade tal que faça necessário a criação de uma profissão. Não devemos esquecer, no entanto, que para isto devemos ter uma história do Webdesign como base para o estabelecimento de uma cultura e ainda é muito cedo para isto. Com a evolução rápida desta mídia tanto podemos ir para algo mais complexo, que crie uma cultura própria, como podemos ter uma vulgarização tal que ela seja acessível a todo mundo. Os escribas já foram uma profissão nos tempos antigos, hoje todo mundo domina a escrita, não havendo mais necessidade deles na prática.

De que maneira a ESDI, a mais tradicional escola de design do país, se posiciona em relação a essa mídia tão recente? Como unir tradição às novas tecnologias?

A ESDI tem como princípio e como política a de não dar formação em "softwares". São propostos projetos onde o aluno é incentivado a procurar informação e formação em "softwares" adequados a cada caso. Não especializamos ninguém como estratégia de atuação. Não queremos formar técnicos com curso superior como acontece em muitas faculdades, especialmente as privadas. Formamos um profissional mais flexível, o que é apreciado pelo mercado exatamente por esta característica. Enfatizamos o ensino do projeto, da reflexão e da comunicação. Nosso aluno tem uma formação que inclui o domínio da tridimensão, característica que será muito útil quando o projeto virtual se tornar realidade em nosso país. A realidade virtual exigirá um retorno a cultura "aptica" onde a habilidade manual será de novo componente fundamental da manipulação do ambiente de projeto.

Você acredita que a tendência dos cursos de Desenho Industrial no país é oferecer disciplinas voltadas para a criação de sites? Isso já vem acontecendo?

Há uma certa preocupação nas escolas e faculdades existentes em se mostrar adaptadas às novas tecnologias. A área bidimensional é bastante bem atendida tanto em termos de "softwares" como de cursos específicos para ensinar estes "softwares". Já há em alguns casos disciplinas voltadas para criação de sites. A mídia digital é uma realidade inexorável, mas ainda há muito deslumbramento e pouca discussão crítica. É só colocar o termo "digital" para parecer diferenciado, atual ou moderno. Já fomos muito criticados por isto. O que devemos entender é que esta mídia pode ser atual e estar se popularizando rapidamente, mas ao mesmo tempo é profundamente excludente especialmente em um país como o nosso onde a população tem grande contingente de iletrados ou de marginalizados da tecnologia.

A ESDI oferece aos seus alunos alguma oportunidade de desenvolver projetos na área de web design em algum período do curso?

Nos projetos executados por nossos alunos o assunto Web é cada vez mais freqüente. No último ano, onde nosso aluno faz seu trabalho de graduação é muito comum haver projetos de pesquisa ou propostas que resultem em um site ou em alguma forma de mídia eletrônica. Não temos o hábito da especialização como já foi dito, pois temos a consciência de que nosso país ainda é muito jovem para determinar com certeza seu futuro. A Web é o assunto do momento e tem sido dominante nas atenções e nas discussões correntes. Entretanto nós a consideramos uma mídia como as demais, que ainda está abrindo seu próprio espaço. Sua importância na nossa sociedade ainda precisa se validar e adquirir dimensão própria podendo inclusive se tornar uma especialização neste futuro.

Alguma dica ou conselho para quem está começando?

Precisamos entender que a internet é uma mídia diferente, não começa nem termina em um determinado espaço, pode ser vista na ordem que quiser, pode ser vista toda ou somente em parte. É necessário entender que web é antes de mais nada uma mídia que deve servir a comunicação. Esta é sua essência e seu objetivo. A interatividade é a palavra de ordem na Web e isto é inteiramente novo para nós. Neste aspecto o "webdesign", apesar de muito novo já começa a dar lugar a algo mais complexo, a intercomunicação informatizada que pressupõe um maior grau de interatividade, quase no limiar da Realidade Virtual. Entender isto é essencial para um designer atualizado.

texto publicado no bananadesign

Postado por Gustavo Moura

4 Cometário(s), veja quem já falou:

Anonymous Gustavo Moura disse em 11/6/05 8:22 PM  
Esse eu recebi por e-mail do meu grande mestre Felipe Lopes.

Se trata de um artigo de Fredy Van Camp sobre a regulamentação da profissão de Desenhista Industrial

Muito esclarecedor! vale a leitura;

[]'s

GM

..................................

DESIGNERS E A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO: UMA INFINDÁVEL DISCUSSÃO
Freddy Van Camp – Designer, professor e Diretor da ESDI/UERJ.

A revista Design Gráfico, editada em São Paulo e de circulação nacional, publicou há tempos atrás um Editorial, sob o nome "Liberalismo Profissional" falando de forma irresponsável sobre o assunto da regulamentação da profissão. O artigo dizia que não é necessário regulamentar a profissão, por uma questão de "tendência", falava de "moral e bons costumes". Falava ainda em “demarcar território”, como se os designers fossem cachorrinhos que precisam ir de poste em poste para ter dignidade profissional. Dava como exemplo o caso do jornalismo, argumentando pela desregulamentação, que pode ser a seara do autor do Editorial, mas a do Design, seja gráfico ou qualquer outro certamente não é. O editorial defendia que somente a competência deveria delimitar o exercício da profissão. Deixei de adquirir a revista depois disto.

Vivemos em um país onde tudo é regulamentado, até as leis, por maior que seja o contra-senso. Temos essa tradição e essa cultura. Mesmo que não se goste disso temos que conviver com essa realidade, muitas vezes forçados e a contragosto. É comum se falar em leis não estarem em vigor, mesmo assinadas e publicadas, pelo fato de não estarem regulamentadas. Talvez daí tenhamos o mau hábito das leis que pegam ou não pegam, não sei. Toda a nossa estrutura é montada em cima deste fato.

Para o designer que significa ser regulamentado? Significa ser reconhecido.

Vamos a alguns exemplos de como isto funciona:

Se um órgão público fizer uma concorrência para arquitetos somente eles podem participar, pois o que os qualifica para isto é ter uma profissão regulamentada, é possuir uma inscrição no CREA. Você pode ter o diploma de Arquiteto, mas nunca será um, nem poderá exercer a profissão se não tiver o seu registro no CREA. Isto acontece com os advogados, os contadores, os médicos, os dentistas, os engenheiros, os corretores de imóveis, os fonoaudiólogos ou mesmo os peões boiadeiros.

Se o poder público, seja municipal, estadual ou federal tiver que fazer uma concorrência ou uma licitação específica, como uma sinalização pública, uma identidade visual ou um equipamento médico, por exemplo projetos típicos de competência dos designers, não há como fazer isto. A Lei das Licitações Públicas, a Lei.Nº 8.666 o impede explicitamente. Essa lei é precisa neste ponto onde diz que a única maneira de caracterizar uma profissão é pelo seu registro profissional.

Outro caso muito comum: Uma empresa estatal, empresas de grande porte, instituições públicas têm normalmente um plano de cargos e salários. Este plano classifica as profissões em categorias salariais, de competência e de carreira. Para elas são estabelecidos pisos salariais, progressões, planos de aposentadoria, etc. Uma profissão não regulamentada entra em categorias de "Técnico I, II ou III", “Encarregado", "Auxiliar Técnico", etc. Depois de uma carreira inteira, em uma entidade estatal como designer o profissional terá que se aposentar em uma destas categorias, pois não há como alterar sua classificação inicial já que a profissão não é regulamentada.

Mais um caso típico: Um profissional com seu sócio resolvem abrir uma empresa de design. Mesmo que a empresa seja mínima são obrigados a constituir uma SC, uma Sociedade Civil, que obedece a regras do comércio, igual a qualquer outra empresa de qualquer porte. Por serem de nível superior já não podem constituir uma Micro Empresa, mesmo sendo somente dois sócios e tendo faturamento compatível ao que classifica as empresas dentro daquela categoria. Existe uma fórmula que se chama de Sociedade Civil de Profissão Regulamentada, que o designer está impedido de formar pelo fato de sua profissão obviamente não se enquadrar dentro desta categoria. Esta fórmula tem certos benefícios fiscais, que salvo engano tem menor carga fiscal em vários impostos, carga esta, que como é conhecido de todos se tornou a grande responsável pelo aumento da economia informal que se tornou generalizada em todas as profissões, incluindo-se a aí os designers.

Em tempo: Como se sabe os arquitetos tem tido uma participação bastante intensa na área do design no Brasil. Por serem regulamentados eles podem ter uma SCPR, exercer o design e os designers não! A estes só resta o prejuízo.

Mais fatos emblemáticos: Em uma indústria que produza artefatos que possuam qualquer tipo de estrutura, afeitos aos designers de produto, como uma cadeira por exemplo ou um baú de caminhão deve existir um "responsável técnico" que se responsabiliza dentre outros pela correção da estrutura projetada. O designer pode ter feito e especificado o projeto mas por não possuir um número de CREA não pode assinar como responsável tendo que chamar alguém que o possua, um técnico em mecânica, por exemplo, que mesmo sendo de nível médio tem esse poder reconhecido, por ser regulamentado. A chamada A.R.T. Anotação de Responsabilidade Técnica, instrumento legal que identifica a autoria e os limites de responsabilidade em cada projeto e pode ser emitida por qualquer profissional que seja inscrito CREA, menos por um designer.

O interessante é que o Designer tem reconhecimento pelo poder público e há muitos anos na classificação do Imposto de Renda, com códigos próprios para Desenhista Industrial ou Programador Visual. Na hora de pagar ele existe entretanto na hora de exercer o seu direito de ser um profissional reconhecido e regulamentado, como todos os outros não. Os nossos legisladores acabaram de arquivar mais um projeto de regulamentação da profissão que tramitava na Câmara dos Deputados em Brasília.

Encarar regulamentação como corporativismo é uma visão por demais curta e de análise simplória para os dias de hoje e para nosso contexto. Colocar o mercado como balizador é também por demais limitado. Se somente a análise do mercado fosse suficiente a nossa crise econômica já teria afundado o país. Significa dizer que devemos voltar ao Faroeste profissional onde só o mais forte tem vez, onde fatores subjetivos são o que valem???

Isto nos dias de hoje e na sociedade complexa em que vivemos é quase impossível. Se a "tendência" é desregulamentar, ótimo que seja assim para todos e que os privilégios e limites deixem de existir. Os designers, por exemplo, gostariam muito de poder assinar projetos de reforma de interiores ou de construções de pequeno porte junto às prefeituras, de escrever em jornais, de ser editores de revistas, dentre outras habilidades e competências que possuem e que não podem exercer já que isto está regulamentado como tarefas de outras profissões.

Nós respeitamos estas profissões, mas também queremos respeito.

Não queremos privilégios a não ser os que os outros já tem e nós não e há 40 anos, tempo de existência da profissão entre nós.

Por isto somos inteiramente a favor da Regulamentação da Profissão do Designer, por ela já batalhamos muito no passado e continuaremos a faze-lo no futuro.

Todos devem se engajar nesta luta, os designers a merecem!!!

Anonymous Irapuan Martinez disse em 18/8/05 10:23 PM  
Primeiro, acho que convém uma justificativa. Usam "design" no "web design" não como tributo aos bravos criativos da estética. Usam porque design é um termo adequado. De "hair design" a "rocket design", são termos válidos.

Logo, "web designer" é quem desenvolve projetos web. Um mero blogger ou flogger pode se passar muito bem por um web designer.

Defender algum tipo de formação para desenvolver web sites é sobretudo antinatural. Fizeram a web para ser simples de ser assimilada. O segredo de construir um site está no view source. Fizeram da web menos burocrática e mais democrática possível. Seu poder é justamente não haver necessidade de licenças para produção.

Logo, defender algum tipo de concessão vai contra a própria natureza da web. É curioso que se defenda que web designers conheçam a natureza da web, mas querendo promover o que me parece ser uma reserva de mercado: Apenas designers consagrados, formados e de belo portfólio tem o direito de ostentar o nome de web designer.

E não é questão de dominar ferramentas para desenvolver sites. Menos ainda, de ter acumulado horas/banco de faculdade em aulas de semiótica. Basta manjar o meio. Dominar os protocolos. Entender como chegar a informação. Porque a web auxilia a si própria para ser desenvolvida.

Blogger H* disse em 10/3/06 11:09 AM  
Provavelmente ele deve ter excluído do pensamento, a existência da utilização de uma equipe multi-disciplinar dentre as várias etapas que envolvem um projeto web.

Acho que já basta este papo de software, micreiro, defesa da classe profissional,etc..

Qual é o papel do Desenhista Industrial (vulgo, Designer) em um projeto web?

Quais seriam os conhecimentos aplicados por este profissional em um projeto deste cunho e, mais importante, quais seriam os conhecimentos necessários e compartilhados por todos os integrantes desta equipe?

Se meu interesse fosse apenas trabalhar sozinho, com certeza eu teria me matriculado em "Design de Interfaces", que ao meu ver é o curso cuja grade curricular é a mais adequada no momento.

Apesar da indiscutível excelente formação do entrevistado, não pude acordar com aquilo que foi respondido.

Anonymous Criação de Sites disse em 21/5/06 1:10 PM  
muito bom mesmo. vc tem algum sites interessante com artigos de design pra me indicar??
obrigado

frederico


Comente aqui!

 

Gustavo Moura é designer de interfaces e aos 8 anos de idade queria ser inventor quando crescesse.

Para mais informações, visite o gmoura.com

 
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