Seus avós também usam a internet, sabia?

Quarta-feira, Abril 19, 2006
Brasil, um país de idosos
População brasileira com mais de 70 anos já é de 7,7 milhões e pode chegar a 34,3 milhões em 2050, segundo o IBGE
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Não sei quanto a vocês, mas isso realmente me assustou e chamou minha atenção para um tema antigo, que ainda são poucos os que levam a discussão para frente, o de se desenvolver produtos interativos para os idosos, afinal hoje eles já ocupam boa parte da fatia de consumo e tem muito poder aquisitivo ao se identificar com um produto que adeque a suas necessidades.
Antes da parte técnica eu gostaria de compartilhar com vocês uma história que reflete o comportamento consumidor dos idosos. Há alguns anos eu pude observar minha querida avó comprando um celular. Ela não tinha o menor interesse nas funcionalidades que os modelos ofereciam, seu desejo era um aparelho que fosse pequeno o suficiente para caber na bolsa e cumprido o bastante para conversar com as pessoas do outro lado da linha (lembre-se que sua experiência com telefones são os comuns, ditos fixos, com formas que estendem da orelha até a boca para falar) um telefone menor que isso desaperta certa desconfiança no aparelho, com medo de que a pessoa que está do outro lado da linha não a ouça direito. Volta e meia eu ainda observo pessoas na rua conversando em seus celulares pequenos como se estivessem em um walk talk, provavelmente com este mesmo receio. Mas o fator de decisão “matador” foi à acessibilidade do telefone, ela queria um aparelho que ela pudesse manusear sem precisar utilizar seus óculos na hora de teclar os números.
Na loja o vendedor apresentou vários modelos e ela apenas disse que não tinha interesse em telefones com tantas funcionalidades por que ela não sabe e não tem o menor interesse em aprender a utilizá-los. O vendedor apontou como a melhor opção o aparelho mais simples e barato da loja com aquele ar de “pessoas da sua idade costumam comprar esse aparelho..”
Olhando mais um pouquinho, ela resolveu levar o aparelho mais caro da loja (o Motorola V60 na época) pela simples função que só ele tinha de aumentar às letras no visor digital. Decisão tomada sem questionar o preço do celular naquela ocasião, afinal o telefone se ajustou bem às necessidades dela e segundo minha querida avó, isso não tem preço na hora da compra.
Esse comportamento também acontece na internet, onde o site mais adaptado fica em uma posição privilegiada para atender esses consumidores. Hoje eu li um artigo de Tim Fidgeon que aborda esse tema em seu artigo melhore a usabilidade para os idosos - Improve Usability for Older Users. Onde ele comenta que a população inglesa com mais de 60 anos hoje é maior do que de a dos jovens 16 anos de idade. Sendo assim, eles resolveram analisar a experiência dos idosos com os websites comparando os resultados de 16 sessões de testes de usabilidade com usuários entre 40 e 65 anos.
Os estudos indicam que existem coisas realmente simples que podemos fazer para apoiar melhor as atividades dos idosos durante sua interação com os websites, traduzi abaixo as principais recomendações e espero ajudar essa audiência que cresce em tamanho e importância para os próximos anos.
- Designers devem investigar jeitos inovadores de comunicar o fato de que a página não acabou e pode ser rolada – scroll
- Termos técnicos devem ser evitados sempre que possível. Uma explicação clara deve ser aplicada onde eles precisam ser usados (incluindo exemplos apropriados)
- Links devem ser identificados de forma consistente e obvia (exemplo ao bom e velho estilo Nielsen: azul, negrito, sublinhado e vermelho no mouse-over)
- Os elementos que chamam atenção na página devem ser links (Exemplo: Figuras, ícones, bullets, etc.)
- Links visitados devem mudar de cor.
- Forneça uma versão em HTML de conteúdos que precisam instalar algum software para serem visualizados (exemplo.: PDF)
- Faça um conteúdo conciso e claro sempre que possível. Forneça duas versões do mesmo conteúdo (simples e detalhado) e deixe o usuário decidir que tipo de conteúdo ele deseja acessar.
- Websites devem fornecer sempre uma funcionalidade de “aumente o tamanho do texto” acompanhado de ilustrações ou ícones que reforçam essa idéia e preocupe-se sempre com o contraste do texto e o fundo
- Disponibilize instruções explícitas usando verbos imperativos (exemplo: Saiba mais detalhes, Encontre, Envie, etc)
Estas são apenas sugestões iniciais e obviamente demandam mais estudos aprofundados sobre o assunto.
Postado por Gustavo Moura
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Minha avó usa a Internet tanto quando meu irmão mais novo, tendo como diferença somente as dificuldades inerentes da idade e como os site muitas vezes não estão preparados para ela, indiquei o uso do Opera Browser, devido ao excelente zoom que ele possui.
Ainda são raros os sites que tem alguma preocupação com o público. O designer acha que todos os visitantes são jovens, muito expertos, com fluência em informática e sem nenhuma deficiência ou problema de saúde. Realmente brilhante o texto, li o original.
Minha avó usa a Internet tanto quando meu irmão mais novo, tendo como diferença somente as dificuldades inerentes da idade e como os site muitas vezes não estão preparados para ela, indiquei o uso do Opera Browser, devido ao excelente zoom que ele possui.
Ainda são raros os sites que tem alguma preocupação com o público. O designer acha que todos os visitantes são jovens, muito expertos, com fluência em informática e sem nenhuma deficiência ou problema de saúde. Muita coisa tem que mudar ainda.
Quando pensamos em acessibilidade, o que vem primeiro a cabeça são os deficientes (principalmente os visuais / cegos), mas isso é relativo. Os idosos também têm carência para sites adaptados, também tem deficiência visual (usam óculos), possuem pouca destreza com o mouse e estes já são boa parte da população.
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